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ODE SUPERFICIAL

À dolorosa luz dos pequenos objetos elétricos da vida
Tenho febre e penso

Que todos eles nos consomem,

Nós deixamos que isso aconteça.
Seja mulher, seja homem, na tela estará vidrado.
Oh luz que me penetra a cabeça, me dá prazer e

Faz com que me esqueça de tudo o que se tem passado!
Oh cliques, vídeos, imagens de pura indiferença!
Muitas horas connosco perduras
Uma relação tóxica que amamos ter,
Sensações que aturas em todas as alturas,

Pessoas que nunca vi, mas tenho gosto em ver...
Certo dia senti ser necessário correr,

Passei então à desinstalação
E em menos d'um dia, estava de volta à multidão...
Ah jogos, aplicações, canções, notícias!
Tanto de bom me ofereces que me esqueço das malícias!
Quero viver em ti como quem quer ser feliz,

Mas para o ser, de ti tenho de me desfazer!
Viver é estar, contigo nunca estou, senão com tudo e todos
E tudo e todos me passam ao lado! Sinto que te

quero, mas amo mais o que não espero, tudo em nós é passado.

LIBERDADE

Com o lápis mancho folhas

E faço símbolos tão belos.
É a minha maneira de contar ao mundo
As minhas vitórias e flagelos.


Quando o instrumento ganha estaleca
O caderno fica manchado.
Vou ser sempre como o Zeca,

Prometo lutar contra o que está errado.

Quero o mundo animado e contente,
É o que mais faz falta.
Vejam bem as manchas do meu caderno

E apreciem como cada uma sobressalta.


Com elas me divirto embora haja seriedade

E guardo os cravos no coração,
Pois não foi em vão que se lutou por liberdade!

POEMA ENAMORADO

O teu sorriso deixa-me hipnotizado,
Somos fogo que arde e nem damos conta.
Quando te vejo fico emocionado

E contigo nada me amedronta.


Não sei como, tens esse dom

De me deixar como um marinheiro,

Não sei se é do teu sorriso,

Do teu canto ou do teu cheiro.

Escrevo-te poemas de amor
Como um contemporâneo de Eugénio:
És aquilo que me move,

Es o meu maior prémio.


És a flor mais bela,

És quem me deixa feliz.
Espero que um dia leias
Estes versos que te fiz.

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